quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Astrolábio, Circuito Ecológico Parque do Guapituba

Astrolábio, Circuito Ecológico Parque do Guapituba.

Apresentação da Professora Sandra Regina Chinchio Nascimento

No mês de junho de 2009, como parte das atividades da Programação do Mês do Meio Ambiente, desenvolveu-se no Parque do Guapituba uma atividade de formação aos professores da rede municipal de Mauá. Esse trabalho é resultante de uma ação integrada entre as secretarias municipais de Educação e de Meio Ambiente.
O uso do Astrolábio, um dos instrumentos que serviram de guia para as grandes navegações portuguesas a partir do século XV, foi inicialmente utilizado no desenvolvimento das aulas de Matemática na Escola Municipal Cora Coralina, sob orientação do professor Alcides e professora Juliana. O instrumento desenvolvido com material reciclável pelos alunos para, no caso da atividade prevista, aplicação de princípios matemáticos (trigonometria) medindo a altura de objetos de referência.
No circuito ecológico do Parque do Guapituba, com a apresentação da professora Sandra Chinchio, a relação foi da medição dos eucaliptos de grande porte existentes no local, no intuito de apresentar de forma didática a aplicação prática dos conteúdos da disciplina de Matemática de forma interdisciplinar. Assim como, o astrolábio como meio de orientação, foi trabalhado também noções sobre pontos cardeais e colaterais (Geografia), a historicidade do próprio astrolábio (História) e outros temas como umidade, evapotranspiração, espécies arbóreas, eutrofisação, princípio da gravidade, etc. (Ciências - Física, Química e Biologia/Botânica).
A atividade foi a última estação (etapa) no circuito ecológico que contou nas estações anteriores com uma palestra sobre o plástico: vilão ou mocinho? (engenheiro Márcio Eing); visita à nascente dentro do parque (Eliésio, meio ambiente); aspectos histórico e ambientais do parque (técnico ambiental Humberto); verificação do microclima e evapotranspiração (professora Regina da EMEJA Clarice Lispector), todas elas desenvolvidas nas trilhas internas do Parque do Guapituba.

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Dobraduras, Projeto Arca de Noé

PROJETO ARCA DE NOÉ

Escola Municipal Lucinda Petigrossi Castabelli

A educação ambiental, conforme concebida no Programa de Educação Ambiental de Mauá que direciona as ações na rede municipal de ensino deve ser trabalhada desde a educação infantil. As escolas têm autonomia em desenvolver projetos próprios a partir dos princípios norteadores da Secretaria de Educação e do Projeto Político Pedagógico de cada unidade.
Nesse sentido, a Escola Municipal Lucinda Petigrossi Castabelli, através das professoras Madalena e Tatiana apresentou com a chegada da estação do ano da Primavera um trabalho lúdico-pedagógico com as crianças da educação infantil nomeado Projeto Arca de Noé.


Atividade das crianças com dobraduras


As dobraduras representam a "Arca de Noé" com seus animais.


Os textos de Vinícius de Moraes apresentando os animais: o leão, as abelhas, o porco e o pato.


A foca, o leão e as abelhas.


O leão, as abelhas e o porco.


Os trabalhos de dobradura das crianças.


Trabalhos das crianças organizados pelas professoras Madalena e Tatiana.


As professoras Madalena e Tatiana.


As crianças com as máscaras de animais e a comunidade visitando a exposição dos trabalhos.


A aluna e seu trabalho, orgulho pela sua produção.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um pouco de história da Educação Ambiental em Mauá

Tamanduateí, Patrimônio Cultural de Mauá

Antônio Coelho de Souza do Nascimento

Esse trabalho foi desenvolvido na Escola Municipal de Jovens e Adultos Clarice Lispector, em 2005, em continuidade ao trabalho realizado no âmbito da educação ambiental na rede municipal de Mauá em construção desde 2003.
Inscrito no Concurso Tesouros do Brasil com patrocínio da FIAT automóveis, realização La Fabbrica Comunicação e Marketing, parceria da Usiminas e Magneti Mareli com apoio da UNESCO, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e do Ministério da Cultura. Foi premiado com a publicação no Volume 2 do Livro Tesouros do Brasil ao lado dos 40 melhores do Brasil; escolhidos por uma comissão composta por 27 especialistas de renome nacional na área de educação e cultura, e representantes de instituições parceiras, passando antes por uma seleção preliminar realizada pela equipe técnica do projeto. Foram 783 trabalhos recebidos de todo o Brasil com a participação de 491 escolas (15.5% particulares e 84.5% públicas), 25.397 alunos, 1.224 professores representantes de todas as regiões do país.
Como integrante, além do Projeto de Educação Ambiental, do projeto NEPSO - Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião, esse trabalho foi exposto e apresentado no Seminário Estadual Paulista do NEPSO/Ação Educativa, também em 2006.
Em decorrência da metodologia empregada, isto é, da metodologia da pesquisa de opinião, o NEPSO (princípios da livre adesão, do protagonismo de seus participantes - alunos e professores -, o trabalho se faz com e não para os participantes, a educação entendida como direito, a escuta do outro, o foco na aprendizagem e esta a partir dos interesses na necessidade de resolução de problemas e a importância da experimentação), e na perspectiva de uma Educação Social Transformadora (que considera não apenas a educação formal, mas, também a educação informal, transformando seus participantes em agentes educadores).
As atividades que fizeram parte do trabalho estão: a coleta de depoimentos dos moradores da região sobre recordações de vida, relacionadas ao Rio Tamanduateí; Elaboração de texto contendo descrição das condições naturais do rio e os problemas atuais; Monitoramento das águas do rio; Pesquisa de Opinião, elaborada pelo grupo, para saber a opinião da comunidade a respeito do rio e concurso de poesia realizado na escola, tendo o rio como tema.
Seus resultados, extrapolando os muros da escola, explicitou além do protagonismo social, que se concretizou em uma carta à população mauaense, apontou para a cidade a possibilidade de tombamento enquanto patrimônio ambiental, cultural e histórico do rio Tamanduateí para a cidade de Mauá. Nesse sentido, agora em 2009, é pauta de discussão no CONDEPHAAT-Ma seu tombamento apoiado pelas Secretarias de Educação e Meio Ambiente do município.
TAMANDUATEÍ, PATRIMÔNIO CULTURAL DE MAUÁ
Um rio de muitas curvas
Muitas são as cidades que se desenvolveram à margens de rios e com eles criam uma relação profunda. Assim é Mauá, em São Paulo, com o rio Tamanduateí. Muitas gerações ali se banharam, pescaram, mataram a sede, lavaram roupa e admiraram sua beleza natural cercada de lendas. Suas margens testemunharam o crescimento da cidade e suas transformações, das missões jesuíticas dos tempos coloniais até a chegada de grandes indústrias.
Em tupi-guarani, Tamandetay significa "rio de muitas curvas" ou "dos tamanduás", conforme as versões existentes. O Tamnaduateí é um dos rios mais importantes de São Paulo com uma bacia de 320 km². Ele nasce na Serra do Mar e deságua no rio Tietê. De seus 35 km de extensão, nove estão em Mauá.
Os habitantes da cidade sustentam a crença de que suas águas são milagrosas e capazes de curar problemas nos olhos. Os poderes do rio começaram a ser percebidos na segunda metade do século XX por trabalhadores que extraiam granito de uma pedreira. Eles se dirigiam à nascente do Tamanduateí para lavar os olhos machucados pelo pó de pedra e, com o tempo, perceberam a melhora da visão. Assim, os escarpelinos, como são chamados esses operários, passaram a acreditar no poder de cura das águas. Para homenagear Santa Luzia - santa protetora dos olhos - construiram ao redor da nascente do rio um pequeno oratório. Com o passar dos anos, a pedreira foi desativa, mas a crença nos benefícios das águas do rio perdura até hoje.
Além de alimentar as crenças do povo de Mauá, o Tamanduateí também foi fonte de desenvolvimento para a cidade. Suas águas foram utilizadas de diversas formas por importantes indústrias de pedra, louça, cerâmica e tratamento de couro da cidade. Essas fábricas fazem parte também da história de Mauá. e alguns de seus vestígios são tombados pelo Patrimônio Histórico, como a chaminé remanescente da fábrica de couro Cortume.
Poluição
O crescimento industrial, além de progresso, trouxe muitos problemas para Mauá e para o rio Tamanduateí. O curso do rio foi alterado, as várzeas ocupadas e o leito poluído. A beleza e o encanto foram sendo substituídos pela sujeira e pelas mazelas da falta de preservação.
O Tamaduateí é hoje um esgoto a céu aberto e a população se acostumou a jogar lixo em suas margens. Para ser preservado e voltar a ser o que era, é preciso conscientizar os habitantes da cidade sobre sua importância ambiental, histórica e cultural. Somente mudando a maneira como as pessoas vêem o rio é possível restituir a ele seu verdadeiro significado.

FONTES:
> Nascimento, Antônio Coelho de Souza do (coordenação) e outros. Rio Tamanduateí (pág. 66 e 67) in Tesouros do Brasil, volume 2, La Fabbrica do Brasil, São Paulo, 2006.
> NEPSO. Almanaque NEPSO 2007 - Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião. Instituto Paulo Montenegro / Ação Educativa, São Paulo, 2007.
> Prefeitura Municipal de Mauá. Projeto Político Pedagógica da Escola Municipal de Jovens e Adultos Clarice Lispector, Mauá, 2005.