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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Prática pedagógica com qualidade social, EMEF Dr. João Alves dos Santos

Prática pedagógica com qualidade social, EMEF Dr. João Alves dos Santos

Antônio Coelho de Souza do Nascimento

Caros amigos educadores comprometidos com uma Educação Social Transformadora, com o desenvolvimento humano e, consequentemente, por uma educação com qualidade social, encontramos ações realmente motivadoras e que não nos deixa levar pelas dificuldades e obstáculos que apareçam.
Há produções fantásticas e ainda pouco conhecidas que superam as nossas expectativas.
A equipe responsável por esse blog, sempre atenta às questões de educação, está sempre antenada em trabalhos que possam servir de referência e, dentre esses, destaca o trabalho desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Doutor João Alves dos Santos.
Como já afirmamos nesse blog, insistimos: na perspectiva de uma Educação Social Transformadora que concebemos esse espaço de interlocução e o fazemos a partir de uma escuta sensível (multirreferencial) com base na práxis e na busca de uma educação com qualidade social. Assim, toda ação educativa deve ser resultante de uma prática cotidiana, fundamentada a partir do que é significante para a criança, o jovem e do adulto estudante.
Esse intercâmbio enriquece e permite que o aperfeiçoamento daqueles que se abrem para o diálogo. 

A E.M.E.F. Dr. João Alves dos Santos

A escola situa-se na cidade de Campinas/SP. Hoje a cidade conta com uma população de 1.088.611 habitantes que a coloca na terceira posição no estado de São Paulo e sede de uma Região Metropolitana que abriga 2.832.297 pessoas em seus 19 municípios que a constitui.
O bairro da Vila Boa Vista foi fundado em 26 de fevereiro de 1969 em um espaço que, em seus tempos áureos, foi uma fazenda de café. Pertence a Administração Regional 11.
Seu endereço: Rua Manoel Thomaz, 635 - Vila Boa Vista, Campinas/SP - contato: (19) 3281-1964.
Gestora: Professora Márcia Gomes. 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Plano Municipal de Educação Revisado

Revisão do Plano Municipal de Educação de Mauá

                            A educação ambiental, assim como, as políticas afirmativas, da promoção da igualdade racial e étnica e de inclusão social na perspectiva de uma Educação Social Transformadora voltadas para o desenvolvimento humano e dos direitos humanos fundamentais devem fazer parte da concepção e práxis presentes em todos os segmentos da educação.

FÓRUM MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
                           O diálogo com a participação da sociedade, de maneira democrática e ativa, apresentou resultados concretos na perspectiva da construção de Políticas Públicas de Educação para a cidade de Mauá.

                          O envolvimento dos diferentes segmentos foi visível pelo número de interlocutores inscritos, em torno de 300 representantes.
                   A abertura contou com a presença do secretário de Governo do município, Prof. José Luís Cassimiro, representando o Prefeito Prof. Oswaldo Dias que situou o processo de construção da Gestão Democrática na cidade, em particular da educação.
Prof. José Luís Cassimiro, secretário de governo
                        A secretária de Educação Margaret Franco Freire em sua acolhida ressaltou a importância desse documento. Salientou que a definição de metas apresentadas no documento em revisão, antecipou as discussões sobre a educação indígena na perspectiva dos indígenas urbanos, ação pioneira em todo o país.
                       A presidenta do Conselho Municipal de Educação de Mauá, Profª Diana Maria de Morais, concluiu que o novo texto do Plano apresentado na III Conferência Municipal de Educação realizada no dia 27 de outubro no escopo do Seminário de Educação no Teatro Municipal marca o processo democrático da revisão.
                      Nesse encontro, que contou com a presença do secretário executivo adjunto do Ministério da Educação Prof. Francisco Chagas, o Plano Municipal de Educação de Mauá para o período de 2012 / 2014 foi apresentado ao prefeito que o encaminhará para a apreciação da Câmara Municipal da cidade.
MESAS TEMÁTICAS
                       As propostas foram debatidas após a apresentação de especialistas que se distribuíram por quatro mesas temáticas:
1) Educação Básica

Educação Básica -

Profª Mestre Maria José Poloni – Diretoria de Ensino de Mauá da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Educação Infantil -

Profª Geraldina Ferreira Canuto – Supervisora da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Mauá.

Educação de Jovens e Adultos -

Profª Conceição Aparecida Sales Magalhães – Supervisora da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Mauá.

Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva

Profª Drª Deigles Giacomelli Amaro – Assessora Técnico Pedagógica e Terapeuta Ocupacional da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Mauá.


2) Educação Técnica e Educação Superior

Educação técnica e educação superior -

Profª Mestre Dinorá de Souza Lima – Professora e Coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade de Mauá (FAMA).


3) Identidade: educação da cultura afro-brasileira e indígena

Identidade -

Prof. Mestre Antônio Coelho de Souza do Nascimento – Assessor Técnico Pedagógico da Secretaria Educação da Prefeitura Municipal de Mauá / Geógrafo e Diretor do CAPESP (Centro Associativo dos Profissionais de Ensino do Estado de São Paulo).

Prof. Antônio Coelho de Souza do Nascimento

Educação da cultura afro-brasileira -

Profª Maria Elizabeth Rosa dos Santos – Responsável pela Coordenadoria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Mauá.

Educação da cultura indígena -

Marcos Júlio de Aguiar – Indigenista da O.N.G. Opção Brasil.

Profª Indígena Chirley Maria de Souza Almeida Santos – Mestranda indígena (Pankará). Coordenadora Pedagógica em aldeias indígenas Guarani M'baya
Inclusão -
Profª Mestre Márcia Maria Nascimento Baptista Duarte – Assessora Técnico Pedagógica e Fonoaudióloga da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Mauá


4) Gestão Democrática e Valorização dos Profissionais da Educação

Gestão democrática -

Prof. José Luís Cassimiro – Secretário de Governo da Prefeitura Municipal de Mauá.

Valorização dos Profissionais da Educação -

Profª Rita de Cássia Cardoso – Professora da Rede Estadual de Educação e do Sindicato dos Professores/APEOESP.

PLENÁRIA

                          A revisão realizada pelos participantes das mesas temática promoveram a discussão e apresentaram as novas propostas para o texto do Plano Municipal de Educação na Plenária realizada no período da tarde.
                           O encontro desenvolveu-se de maneira agradável, sem deixar de apresentar as posições divergentes que alcançaram o consenso ao final das argumentações observadas.

ENCAMINHAMENTOS

                          A Comissão responsável para a finalização do texto do Plano Municipal de Educação recebeu as propostas aprovadas em plenário para a apresentação do documento que o prefeito receberá para encaminhá-lo à Câmara Municipal para votação e transformação em lei.
A Secretaria Municipal de Educação Margaret Franco Freire na III Conferência Municipal de Educação. Na mesa Diana Maria de Morais (CME), Prefeito de Mauá Prof. Oswaldo Dias, Prof. Francisco Chagas (MEC) e José Luís Cassimiro (Secretário de governo)
 Foto Amanda Perobelli
 
 

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estudar ainda garante o futuro


Estudar ainda garante o futuro? - Clique para AmpliarEstudar ainda garante o futuro?


A região do ABCD e demais cidades da Grande São Paulo tiveram momentos de muita riqueza e esplendor industrial. A chegada da Volkswagen na cidade de São Bernardo do Campo na década de 50, da General Motors em São Caetano e de tantas outras multinacionais que aqueceram o desenvolvimento da região trouxeram consigo empregos, riqueza, tecnologias e vagas de trabalho. Essa situação atraente possibilitou inúmeras pessoas e famílias migrarem para essas cidades, e assim, estabelecer moradia à procura de trabalho nas grandes empresas e montadoras mudando todo o cenário econômico, geográfico e político dessas regiões.

Sabe-se que o Brasil na década de 60 ainda apresentava um número alto de analfabetismo ( BEISIEGEL, 1974)1 e que, o acesso e permanência na escola não eram suficientes para todos, principalmente em uma região em constante expansão e crescimento demográfico. Assim, entre o buscar o emprego e o dinheiro, ou poder estudar, muitas pessoas optaram pela garantia do sonho paulistano e da industrialização ainda não conhecida em muitos estados brasileiros. A escola ainda não era o objetivo de todos esses migrantes, o que mais importava era o trabalho, o dinheiro no fim do mês, a comida no prato da família e de cada vez mais, dos familiares que também vinham tentar a sorte aqui, mesmo com condições de moradia bastante rudimentares, em aglomerados ou cortiços na cidade de São Caetano, ou nas favelas em São Bernardo e Santo André.
Nas duas décadas seguintes o número de migrantes da região nordeste e de muitas outras regiões do país cresceu muito. As cidades se modernizaram, as vias públicas foram preparadas para atender às necessidade das empresas. A via Anchieta foi iluminada em seu perímetro urbano, a Rodovia dos Imigrantes foi construída para atender mais o acesso de caminhões para as empresas. São Bernardo já contava com mais empresas do setor automobilístico, entre elas: Volkswagen, Ford, Scania, Karmanghia, Mercedez, Chrysler e todas as outras empresas de peças, latarias, estofados, pneus e logísticas necessárias para compor esse pólo industrial. Contudo, cada vez mais pessoas vinham vindo para essas cidades e o aumento dos empregos era consequencial para a atração dessa mão-de-obra necessária, e ao mesmo tempo, barata. A Volkswagen em seu auge chegou a ter cerca de 50 mil funcionários, por exemplo, e todo esse cenário ainda não tinha sido pensado de forma educacional. As escolas não tinham vagas suficientes para atender essa superpopulação e as políticas públicas, ainda não tinham previsto a necessidade da escolarização desses migrantes, que chegavam à Grande São Paulo sem ao menos saber assinar seus nomes. Esse era um grande desafio para a educação e os órgãos responsáveis, mas o milagre econômico ainda era o sonho que se esperava acontecer.

Hoje, após anos desde essa expansão econômica que aconteceu, as pessoas buscam a escola novamente. Buscam-na, ou por um novo momento em suas vidas na aquisição dos saberes da humanidade, ou em busca da escolarização que não concluíram em momento devido. Assim, a busca pelos bancos escolares e a certificação do término do curso com o propósito de possibilitar oportunidades de trabalho, ou mesmo na esperança de manter o trabalho em que já estão.

Esse era o cenário do sonho paulistano: o enriquecimento, o acesso ao trabalho, o acesso ao capital cultural e econômico. Mas nessa selva de pedras, o mais forte nem sempre ganha. A indústria tem outra abordagem de captação humana. Ela não captava apenas o mais forte, e sim o que pode produzir, independente de sua capacidade intelectual, coisa que, por exemplo, atualmente não ocorre mais. A produção está atrelada à ideia de produção cultural e de habilidades cognitivas necessárias para competências exigidas no mercado de trabalho que outrora ainda não eram exigidas. A capacidade de produção contínua como o modelo Fordista e Taylorista era a única exigência, muitos foram contratados apenas por estar no dia de contratação das empresas pois as vagas de trabalho eram muitas, em todos os segmentos nessas cidades, decorrentes de toda essa produção. Contudo, a necessidade de trabalhar, cuidar da família e da que ainda estava na cidade de origem, pois muitos migrantes enviavam parte de seus ganhos àqueles que não vieram com eles, não permitia o acesso à escola, e a escola também não tinha tantas vagas. Obter uma vaga num curso regular do antigo 2º Grau noturno era uma missão quase impossível e as escolas não davam conta de tamanha demanda, mesmo com outras escolas sendo construídas nas cidades, ainda faltariam vagas e as leis da educação não promulgavam, ainda, a obrigatoriedade dos estudos em idade escolar e oferta de vagas, quanto menos escolas que atendessem jovens adultos. Essas eram dificílimas encontrar públicas! Escolas particulares começaram a oferecer o ensino supletivo de 1º e 2º graus, e começou a escola MOBRAL e o MOVA ( Movimento de Alfabetização de Adultos). As próprias empresas e o Sindicato dos Metalúrgicos começaram oferecer cursos de alfabetização aos seus funcionários e associados, e mesmo assim, as vagas não eram suficientes. A democratização do ensino estava em descompasso com o crescimento industrial. Os filhos desses migrantes que estavam em período de escolarização, nem sempre conseguiam persistir nos estudos. Ou a necessidade de trabalhar os tirava da escola, ou mesmo uma oportunidade de emprego inesperada aparecia, e entre o optar pelo capital cultural ou capital econômico, não havia dúvidas. O econômico determinava uma situação social e cultural dessas comunidades que se formatam em lugares de difícil acesso, como em áreas de mananciais nas cidades de São Bernardo, Santo André, Ribeirão Pires e Mauá.

O avanço industrial continuou. As empresas foram automatizadas, robotizadas, informatizadas. A máquina tirou muitos empregos dos homens. Alguns aposentaram e retornaram às cidades de origem, outros ainda vivem nesses cidades. As escolas ampliaram suas vagas de oferta de ensino fundamental e médio, e também no formato de Educação de Jovens e Adultos. Os jovens cresceram e a globalização é um fato que todos vivenciam. Agora, o que fazer em tempos de crise? Correr para a escola e terminar os estudos ou procurar um novo pólo industrial para tentar a vida? Hoje, a falta do ensino, ou sua conclusão, fazem falta na hora de buscar por um emprego. As vagas de oferta de emprego diminuíram e se tornaram mais competitivas. O capital cultural faz falta diante da falta do capital econômico. Como conseguir essa inserção ou reinserção no mercado de trabalho, diante de uma nova realidade de vida desses alunos egressos, com uma vida em curso: família, filhos, dívidas, sonhos, frustrações. Enfim, qual o sabor ou o dissabor do estudo e quais as conseqüências do despreparo educacional, diante de um mundo que exige que o funcionário faça tudo, ou ao menos saiba como buscar ferramentas para aprender a fazer aquilo que não sabe? Será que a escola pode promover essa inserção no mundo do trabalho? Ou reestruturar socialmente uma sociedade industrializada? E ainda, em constantes transformações? Como essa promoção social pode acontecer na busca desses adultos que retornam para a escola em busca do seu sonho de trabalhar?

A relação, trabalho e escola, carrega intrinsecamente a dimensão de aceitação social, do ser e fazer, e do querer e ter. A mentalidade de que a educação "abre portas", ou " abre caminhos" para esses "caminhos fechados", ou como a solução de um problema social e econômico, e não de formação de identidade, de sujeitos, de consciência política das práticas sociais e ativos culturais da humanidade. A escola tenta ligar o aluno ao trabalho que ele tanto necessita, uma vez que ao preencher uma ficha para qualquer vaga ocupacional se exige o Ensino Médio completo. "Completo" ou concluído? Pois, na Educação de Jovens e Adultos, o que se espera como formação desses alunos? O que pode ser completo a não ser sua própria experiência como ser humano, vivendo em uma sociedade de fortes diferenças sociais e culturais?

Será a escola uma forma de salvação da sociedade capitalista? E se o aluno retornar à escola e ao terminar o Ensino Médio ainda não conseguir emprego? Ele ficará satisfeito ou decepcionado consigo mesmo? A quem mais ele vai culpar ou auto-culpar? O capital cultural garante efetivamente o econômico? A escola pode ser pensada como um espaço de oportunidades e construção de conhecimento e saber, próprios de cada um e da humanidade? Não seria muita pretensão ou talvez, até mesmo, muita responsabilidade se a escola tiver de dar conta também das mudanças políticas, sociais, culturais e econômicas?

Essas questões demonstram alguns fantasmas que ainda assolam a Educação dos jovens e adultos. Em um mundo cheio de desigualdades, em suas vidas de sonhos e frustrações, em suas necessidades de capital financeiro, muitas vezes em detrimento do capital cultural, enfim, fazem muitos alunos voltarem para escola, cheios de sonhos e outros nem sonhos têm para voltar. Mas essa volta não é garantia nenhuma a eles. A sociedade se apresenta de forma individualizadora, e o ser humano, é esquecido; tanto na escola como no trabalho. Muitas vezes não passamos de um número na empresa, na escola, para o governo. Somos mais que isso tudo. Somos humanos, cidadãos, sujeitos de nós mesmos e para que as mudanças aconteçam em nossas vidas, na escola e no trabalho, temos de trazer essa mudança de dentro de nós, pois mudança é atitude: Atitude de querer melhorar, mudar, e de se transformar, não apenas para o trabalho, mas também para a vida.



Por:Marcus Tadeu Meneghelo

Pedagogo e Especialista. Professor Titular da Rede Estadual de São Paulo. Professor Coordenador Pedagógico. Mestrando em Educação - Universidade Metodista de São Paulo.


1- BEISIEGEL, Celso de Rui. Estado e Educação Popular. Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais, São Paulo, 1974